Home / Rondônia / Núbia Sussuarana destaca a importância do TJRO Mais Inclusivo e a Libras no ambiente de trabalho em Rondônia

Núbia Sussuarana destaca a importância do TJRO Mais Inclusivo e a Libras no ambiente de trabalho em Rondônia

Em entrevista ao programa Libras em Foco da ALERO, Núbia destacou trajetória na comunidade surda e avanços do projeto “TJRO Mais Inclusivo”

A professora, pesquisadora e profissional da área de acessibilidade Núbia participou do programa Libras em Foco, realizado na Assembleia Legislativa de Rondônia, e compartilhou sua trajetória de aproximação com a comunidade surda, além de apresentar ações desenvolvidas no Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO) para fortalecer a inclusão de pessoas com deficiência.

Durante a entrevista, Núbia contou que seu primeiro contato profissional com a realidade da surdez ocorreu quando atuava como professora de História na escola Castelo Branco e encontrou uma turma com 13 alunos surdos. Na época, sem conhecimento em Libras e diante da ausência temporária de intérprete, ela decidiu buscar formação na Língua Brasileira de Sinais.

Da sala de aula à pesquisa acadêmica

A partir dessa experiência, Núbia iniciou cursos de Libras, incluindo formações oferecidas pela Assembleia Legislativa, passando pelos níveis básico, intermediário e avançado. Com o tempo, aprofundou seus estudos em outros estados e alcançou fluência em cerca de três anos.

Ela também seguiu carreira acadêmica na área da surdez e da linguagem. No mestrado, pesquisou o tema metaplasmos na Libras. Atualmente, está no doutorado, com estudos voltados à linguagem fácil, área ligada à acessibilidade comunicacional.

TJRO Mais Inclusivo busca ampliar oportunidades

Hoje, Núbia atua no Tribunal de Justiça de Rondônia, onde trabalha com projetos de acessibilidade para diferentes públicos, com maior ênfase na comunidade surda. Ela coordena o projeto TJRO Mais Inclusivo, que tem como objetivo fortalecer práticas de inclusão dentro do tribunal.

Segundo Núbia, em 2022 foi identificada a ausência de estagiários surdos no TJRO. Após a elaboração de uma justificativa e apresentação à alta administração, o projeto foi aprovado e começou a avançar.

Principais resultados destacados na entrevista:

  • Em 2022, o TJRO não contava com estagiários surdos;
  • Em 2023, o projeto iniciou com três estagiários;
  • Depois, o número chegou a oito;
  • Atualmente, são 13 estagiários com deficiência;
  • A meta é ampliar gradualmente a participação e a acessibilidade no ambiente de trabalho.

Oficinas de Libras ajudam na comunicação diária

Uma das ações do projeto é a realização de oficinas de Libras básico nas unidades onde os estagiários são lotados. A proposta é preparar servidores para se comunicarem melhor com colegas surdos, promovendo autonomia, respeito e interação profissional.

Núbia ressaltou que a inclusão não deve depender apenas da existência de leis. Para ela, a legislação é fundamental, mas precisa ser colocada em prática por meio de projetos concretos.

“A lei existe, mas para dar vida a essas leis a gente precisa de projetos que tragam a inclusão para a realidade”, afirmou.

Inclusão precisa sair do papel

A entrevista reforçou a importância de instituições públicas adotarem medidas efetivas para garantir acessibilidade e participação de pessoas com deficiência, especialmente da comunidade surda.

Ao final do programa, Núbia ainda ensinou alguns sinais usados no cotidiano do Tribunal de Justiça, como “processo”, “bom dia”, “Libras”, “reunião” e termos ligados ao trabalho jurídico.

O encontro destacou que a inclusão é possível quando há planejamento, compromisso institucional e disposição para transformar direitos em ações reais.

 

Edição: Jornal Povo Promissor

(Confiança e credibilidade)

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *