Em edição do programa Diálogo Aberto, videocast da Assembleia Legislativa de Rondônia (ALERO), o professor, historiador e escritor Alex Palitó destacou a importância da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré para a formação histórica, cultural e afetiva de Porto Velho. A conversa ocorreu em alusão ao Dia do Patrimônio Histórico Nacional e resgatou memórias sobre os trilhos, o rio Madeira, os pioneiros e a retomada do passeio de trem.
Porto Velho nasceu entre o rio e os trilhos
Para Alex Palitó, é impossível separar a história de Porto Velho da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Segundo ele, a cidade nasceu “entre o rio Madeira e duas paralelas de ferro e aço”, em referência aos trilhos que marcaram a origem do município.
O historiador também ressaltou a força simbólica do Marco Zero, localizado na região da Estrada de Ferro, onde estão reunidos dois elementos fundamentais da identidade local: o patrimônio material, representado pela ferrovia, e o patrimônio natural, representado pelo rio Madeira.
Durante a entrevista, Palitó lembrou que o próprio hino de Porto Velho faz referência direta à ferrovia, ao citar as oficinas do Parque da Madeira-Mamoré e os “bravos pioneiros” que ajudaram a construir a cidade.
Memória familiar ligada à ferrovia
A ligação de Alex com a história da Madeira-Mamoré também passa pela família. Ele contou que sua tia, Lúcia Palitó, foi engenheira ferroviária e participou do projeto de restauração do passeio de trem na década de 1980, durante o governo de Jorge Teixeira.

Segundo o historiador, ela enfrentou resistência por ser mulher em um ambiente técnico predominantemente masculino. Mesmo assim, ajudou a recolocar a locomotiva em funcionamento em um teste de aproximadamente três quilômetros até o bairro Triângulo.
“Eu vi a história de perto”, relembrou Alex, ao afirmar que acompanhou, ainda criança, parte do processo de revitalização da ferrovia.
O retorno do apito que emociona gerações
Um dos pontos mais emocionantes da entrevista foi o relato sobre a retomada do funcionamento da locomotiva e do passeio histórico. Palitó destacou o trabalho da Prefeitura de Porto Velho em parceria com a Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), instituição reconhecida nacionalmente pela preservação de ferrovias históricas.
Para ele, ver novamente a locomotiva apitar foi um momento “imensurável”. Mais do que recuperar um atrativo turístico, a retomada representa a chance de devolver às novas gerações uma memória afetiva que muitos moradores viveram entre as décadas de 1980 e 1990.
Entre os principais pontos destacados no bate-papo estão:
- A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré como símbolo fundador de Porto Velho;
- A relação direta entre a ferrovia e o rio Madeira na formação da cidade;
- A importância da preservação do patrimônio histórico;
- A participação de Lúcia Palitó na revitalização dos trilhos nos anos 1980;
- O retorno da locomotiva como marco cultural e turístico;
- A necessidade de políticas públicas permanentes para manter viva a memória local.
Cemitérios, pioneiros e personagens da história
Alex Palitó também falou sobre espaços históricos importantes de Porto Velho, como o Cemitério da Candelária, ligado à memória da construção da ferrovia, e o Cemitério dos Inocentes, onde estão sepultadas personalidades marcantes da história regional.
Entre os nomes citados durante a conversa estão comerciantes, ferroviários, escritores, pesquisadores e integrantes da Comissão Rondon. O professor reforçou que esses lugares não são apenas áreas antigas da cidade, mas verdadeiros registros da formação social, econômica e cultural de Rondônia.
Porto Velho, capital das aves
Outro ponto curioso abordado foi o potencial de Porto Velho no turismo de observação de aves. Segundo Palitó, o município possui uma das maiores diversidades de aves do Brasil, com centenas de espécies catalogadas, o que atrai pesquisadores e turistas interessados no chamado birdwatching.
A riqueza natural, somada ao patrimônio histórico, reforça o papel de Porto Velho como cidade de grande relevância cultural, ambiental e turística na Amazônia.
Preservar a história é fortalecer a identidade
Ao final da entrevista, Alex Palitó defendeu que preservar a memória local é essencial para fortalecer o sentimento de pertencimento da população. Para ele, um povo que não conhece sua história perde parte de sua identidade.
A fala do historiador reforça a necessidade de cuidar da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré não apenas como monumento do passado, mas como patrimônio vivo, capaz de conectar avós, pais, filhos e netos em torno da história de Porto Velho e de Rondônia.
Edição: Jornal Povo Promissor
(Confiança e credibilidade)



















