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Wilson Grassi propõe endurecer presídios federais, atacar finanças do crime e consultar população sobre modelo de El Salvador

Candidato do Democrata à Presidência da República, o veterinário Wilson Grassi apresentou o eixo de segurança pública de seu Plano de Governo 2027–2030. A proposta aposta em cinco pilares: isolamento de lideranças criminosas, combate ao dinheiro das facções, controle de fronteiras, integração de dados e prevenção baseada em evidências.

 

Combate ao comando das facções

O plano parte do diagnóstico de que o Brasil “gasta muito com segurança e prende muito”, mas falha em desmontar organizações criminosas. Para Grassi, prender criminosos de baixa hierarquia não resolve o problema se a liderança das facções continuar operando de dentro dos presídios.

A principal aposta é ampliar e endurecer o sistema penitenciário federal de segurança máxima, voltado exclusivamente a lideranças criminosas e presos de alta periculosidade. A proposta inclui bloqueio efetivo de celulares, rodízio nacional de detentos perigosos, regime disciplinar diferenciado com controle judicial e fortalecimento da carreira dos servidores penais federais.

Dinheiro do crime na mira

Outro ponto central do plano é deslocar o foco do confronto nas ruas para a inteligência financeira. Segundo o documento, “organização criminosa não morre de tiro, morre quando quebra”.

Entre as medidas previstas estão:

  • integração entre inteligência financeira, Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público;
  • reforço nas investigações sobre laranjas, empresas de fachada, postos de combustível, transportadoras, clínicas e casas de apostas;
  • uso mais intenso de bloqueio, sequestro e venda antecipada de bens;
  • cooperação internacional para rastrear recursos enviados ao exterior e operações com criptoativos.

Fronteiras, portos e armas

O plano também defende maior presença federal nas portas de entrada de armas e drogas. A proposta prevê vigilância eletrônica contínua em trechos críticos de fronteira, apoio logístico das Forças Armadas e escaneamento não invasivo de contêineres nos principais portos do país.

Na área de armas, Grassi propõe controle mais rigoroso da cadeia legal de armamentos e munições, com marcação e auditoria de estoques. O documento afirma que parte relevante das armas usadas em crimes teve origem legal.

Dados integrados e cobrança dos estados

O candidato afirma que o Brasil não precisa criar um novo sistema nacional de informações de segurança pública, pois o Sinesp já existe desde 2012. O problema, segundo o plano, é que o sistema é mal alimentado e pouco padronizado.

A proposta é aplicar, de fato, punições a estados que não enviarem informações no padrão e no prazo exigidos. Esses governos poderiam perder acesso a recursos federais discricionários. O plano também prevê um padrão nacional obrigatório de registro de ocorrências e auditoria anual independente da qualidade dos dados.

Uma novidade defendida por Grassi é integrar bases policiais a sistemas não policiais, como folha de pagamento pública, benefícios sociais, registro de empresas e identificação civil. A intenção é evitar situações em que uma pessoa procurada pela Justiça continue recebendo pagamentos ou benefícios do próprio Estado. O plano ressalta, porém, que esse cruzamento exigiria lei, auditoria e punição para acessos indevidos.

Maus-tratos a animais como alerta de violência

O eixo de prevenção traz uma proposta ligada à área de atuação profissional do candidato: a criação de um cadastro nacional de infratores por maus-tratos a animais. O plano cita estudos internacionais que apontam associação entre violência contra animais e violência contra pessoas, especialmente em casos de violência doméstica.

A medida seria implementada até o fim do primeiro ano de mandato e integrada às bases de segurança pública, servindo como fator de alerta na avaliação de risco. Também está prevista a criação de protocolos entre serviços de proteção animal, conselhos tutelares e delegacias especializadas.

Plebiscito sobre modelo de segurança máxima

Um dos pontos mais chamativos do plano é a proposta de consultar a população, por plebiscito, sobre a adoção de um modelo de confinamento de segurança máxima inspirado em El Salvador, voltado a líderes de facções e presos de altíssima periculosidade.

Grassi afirma que não pretende decidir o tema por decreto. O documento reconhece que a convocação de plebiscito depende do Congresso Nacional, por meio de decreto legislativo, e promete articular a proposta no primeiro ano de mandato.

O plano destaca que o Brasil poderia importar do modelo salvadorenho a engenharia prisional, o isolamento das lideranças, o bloqueio de comunicação e o controle rígido interno. Por outro lado, rejeita a adoção de um regime de exceção, prisões em massa ou suspensão de garantias individuais.

Prazos e metas

O plano estabelece alguns prazos para execução das medidas:

  • primeiro ano: criação do cadastro nacional de infratores por maus-tratos a animais;
  • primeiro ano: articulação do plebiscito sobre o modelo penitenciário de segurança máxima;
  • primeiro ano: regulamentação da PEC 18/2025, caso aprovada, e aplicação de regras para repasses federais;
  • 18 meses: integração entre bases de segurança e bases não policiais;
  • ao longo do mandato: expansão do sistema penitenciário federal de segurança máxima.

A avaliação dos resultados seria feita por indicadores como homicídios por 100 mil habitantes, apreensão de armas e ativos, percentual de carga portuária inspecionada, regularidade dos estados no envio de dados e andamento da consulta popular.

O eixo de segurança pública apresentado por Wilson Grassi combina endurecimento penitenciário, inteligência financeira e integração de dados. A proposta mais sensível politicamente é o plebiscito sobre um modelo inspirado em El Salvador, tema que promete gerar forte debate entre defensores de medidas mais duras contra facções e críticos preocupados com direitos individuais e riscos de abusos.

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