O plano de governo de Romeu Zema, do Novo, para a área da saúde aponta a má gestão, a falta de integração entre União, estados e municípios e o uso insuficiente de tecnologia como alguns dos principais gargalos do sistema público brasileiro. A proposta parte do diagnóstico de que três em cada quatro brasileiros dependem exclusivamente do SUS e enfrentam filas para consultas, exames e cirurgias.
Segundo o documento, o orçamento da saúde já supera R$ 230 bilhões por ano, mas parte dos recursos seria mal aplicada. A campanha defende uma reorganização do sistema com foco em prevenção, digitalização, integração de dados, ampliação da atenção primária e maior participação do setor privado para reduzir a espera por atendimento.
Saúde digital como prioridade
Um dos eixos centrais do plano é transformar a saúde brasileira em uma rede digital integrada. A proposta prevê ampliar a telemedicina, especialmente em regiões remotas e áreas com falta de especialistas, além de melhorar a conectividade das unidades públicas de saúde.
O plano também defende a criação de um registro nacional de saúde, reunindo o histórico clínico dos pacientes em um prontuário eletrônico unificado. A ideia é que o cidadão tenha controle sobre seus dados e autorize o acesso por profissionais e unidades de saúde, tanto da rede pública quanto privada.
Entre as principais medidas anunciadas estão:
- expansão da telemedicina;
- criação de prontuário eletrônico nacional;
- integração de dados entre SUS e rede privada;
- internet de qualidade em todas as unidades públicas de saúde;
- uso de inteligência artificial para melhorar a gestão de filas e encaminhamentos.

Prevenção antes do tratamento
Outro ponto de destaque é o fortalecimento da atenção primária, especialmente por meio da Estratégia de Saúde da Família. O documento afirma que 72 milhões de brasileiros ainda não são alcançados por esse tipo de acompanhamento e que uma atuação mais preventiva poderia evitar milhões de internações por ano.
A proposta inclui ampliar a vacinação, garantir acompanhamento de doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, e assegurar pré-natal completo para gestantes em todo o país. Também há menção a políticas específicas para saúde indígena, idosos, saúde mental e promoção de hábitos saudáveis.
O plano defende que prevenir doenças reduz custos futuros para o sistema público e melhora a qualidade de vida da população.
Filas, hospitais e atendimento humanizado
Para enfrentar a demora no atendimento, Zema propõe uma rede de saúde mais regionalizada, com melhor integração entre urgências, clínicas especializadas e hospitais de diferentes municípios. A gestão das filas poderia contar com ferramentas de inteligência artificial para direcionar pacientes ao serviço mais adequado.
O documento também prevê ampliar vagas de residência médica para formar especialistas em regiões carentes e fortalecer cuidados paliativos, garantindo atendimento humanizado a pacientes em fim de vida.
Mais participação do setor privado
Um dos pontos mais marcantes do plano é a defesa de parcerias com clínicas e hospitais privados para desafogar o SUS. A proposta inclui usar a capacidade ociosa da rede privada para realizar consultas, exames e cirurgias, com metas de atendimento e qualidade.
O plano também defende concessões, parcerias público-privadas e atuação de organizações sociais na construção e gestão de hospitais, UPAs e serviços especializados. Na área de inovação, a campanha propõe aproximar empresas, startups e universidades para desenvolver soluções em saúde e reduzir a dependência externa de insumos e equipamentos.
Há ainda uma proposta específica para ampliar o atendimento a pessoas com Transtorno do Espectro Autista, com credenciamento de clínicas e profissionais especializados financiados com recursos públicos.
Planos de saúde e judicialização
Na saúde suplementar, o plano de Zema propõe modernizar a regulação dos planos de saúde para ampliar opções aos consumidores. A ideia é permitir modelos com diferentes coberturas, segmentação de serviços e mecanismos de compartilhamento de custos.
O documento também defende reduzir o impacto da judicialização na saúde, com critérios técnicos mais claros para decisões judiciais e uso de protocolos clínicos obrigatórios. Para a campanha, isso aumentaria a segurança jurídica e reduziria interferências nas políticas públicas e na regulação do setor.
Em resumo, o programa de Zema para a saúde aposta em três frentes principais: tecnologia, prevenção e maior integração com o setor privado. A promessa é reduzir filas, melhorar a gestão dos recursos e fazer o atendimento chegar mais rápido ao cidadão.
Edição: Jornal Povo Promissor
(Confiança e credibilidade)




















