O plano de governo de Renan Santos, do Missão, para a área da saúde tem como principal promessa enfrentar um dos maiores gargalos do Sistema Único de Saúde: as longas filas de espera por consultas, exames e procedimentos. A proposta, chamada de “SUS Fila Zero”, aposta em tecnologia, reorganização da rede pública e critérios objetivos de prioridade para ampliar o acesso da população ao atendimento.
Segundo o diagnóstico apresentado no documento, cerca de 75% dos brasileiros não têm plano de saúde privado, embora praticamente toda a população utilize o SUS em algum momento, seja em vacinação, vigilância sanitária, transplantes ou atendimentos de alta complexidade. O texto aponta que, apesar da universalidade prevista na Constituição, muitos pacientes ainda enfrentam meses de espera por atendimento.
Fila por risco, não apenas por ordem de chegada
A principal mudança proposta é a criação da ENER — Escala Nacional de Estratificação de Risco. O objetivo é substituir a lógica puramente cronológica das filas por um sistema de “fila viva”, no qual a prioridade de atendimento seria definida de acordo com a condição real do paciente.
Entre os critérios previstos estão:
- Gravidade clínica atual;
- Risco de piora em curto e médio prazo;
- Impacto na capacidade de trabalho e autonomia do paciente;
- Vulnerabilidade social;
- Tempo acumulado de espera.
Na prática, o plano busca garantir que casos mais graves ou com maior risco de evolução negativa sejam atendidos com maior rapidez, sem ignorar o tempo de espera já acumulado.

Saúde digital e integração de dados
Outra aposta central do programa é a criação de um sistema digital de saúde inspirado no modelo DoctorSV, de El Salvador. A proposta prevê a integração entre telemedicina, diagnósticos com apoio de inteligência artificial, laboratórios, farmácias, centros de imagem e histórico clínico do paciente.
O plano também prevê a criação do PRONTO — Prontuário Eletrônico Nacional Interoperável, que reuniria informações de pacientes atendidos na atenção primária, hospitais públicos e privados, serviços especializados, laboratórios e farmácias.
A ideia é que o histórico de saúde do cidadão esteja disponível de forma segura e integrada, reduzindo repetição de exames, falhas de comunicação e desperdício de recursos.
O documento ainda propõe integrar o Programa Genomas Brasil ao prontuário eletrônico do SUS, com a ambição de transformar o país em referência global em genômica aplicada a populações miscigenadas.
Centros regionais e mais eficiência no atendimento
Para enfrentar a sobrecarga de hospitais e centros de alta complexidade, o plano defende a adoção do modelo Hub-and-Spoke. Nesse formato, municípios e unidades básicas funcionariam de forma articulada com centros regionais de referência.
A proposta busca evitar que hospitais especializados sejam usados para demandas simples, que poderiam ser resolvidas na atenção primária. A meta apresentada é alcançar 80% de resolução dos casos na atenção primária, reduzindo encaminhamentos desnecessários e desafogando a rede.
Fundo com repasse por desempenho
O plano também prevê a criação do FNMA — Fundo Nacional de Modernização do Acesso, com repasses aos municípios condicionados ao desempenho. A medida pretende estimular melhores resultados na gestão da saúde pública, especialmente no combate às filas e na ampliação do atendimento.
Além disso, o programa menciona um plano de isenções fiscais para atividades esportivas, como forma de incentivar a prevenção e o cuidado com a saúde física.
Em linhas gerais, o “SUS Fila Zero” apresentado por Renan Santos combina reorganização das filas, digitalização do sistema, integração de dados e metas de eficiência. O desafio, caso a proposta avance, será transformar um plano ambicioso em execução concreta dentro da complexa estrutura do SUS brasileiro.
Edição: Jornal Povo Promissor
(Confiança e credibilidade)




















